Falar de política, aqui no Brasil, sempre vai ser muito complicado. Inseridos em um contexto de extrema corrupção – não generalizando, claro. O povo brasileiro está cada vez mais descrente com as atitudes e promessas dos candidatos, que não transpassam confiança para o seu eleitorado, mas apenas para os fanáticos e os simpatizantes partidários. Essa falta de transparência, acredito eu, pode ser a causa dessa insegurança na hora de apertar o botão “confirma”.

Deixando a demagogia política de lado, é ano de eleição e acredito que o Brasil vai pra frente desta vez (tomara que não “quebre a cara” novamente). A minha esperança tem uma base: a política 2.0 e a atuação das redes sociais nas campanhas políticas. Muitos não sabem o que significa esse conceito 2.0 que está sendo implantado na atualidade, mas não é difícil de explicar. Trata-se da mudança da segunda geração de comunidades e serviços para a plataforma Web.
O conceito de “transparência”, ao ser retomado, fez com que muitos políticos (na verdade, seus assessores) percebessem a importância que a utilização correta das redes sociais têm em “humanizar” e aproximar o candidato do seu público-alvo, facilitando uma comunicação de campanha que antigamente era primitiva e difícil de ser realizada. Além do mais, perceberam que o ambiente virtual barateava a campanha de tal forma que os candidatos poderiam utilizar esse capital para outros fins.
O divisor de águas na utilização da internet dentro das campanhas políticas foi o presidente norte-americano Barack Obama, sem dúvidas. Inserido em um número considerável de redes sociais, sua equipe fez um trabalho sensacional, não só “indoor”, como “outdoor” também. O primeiro, feito através de muitas pesquisas e planejamento, possibilitou o reconhecimento dos públicos-alvos e as redes que eles participam. O segundo, por sua vez, fui fundamental para colocar em prática, com ações e produção de conteúdo, todo o planejamento feito pelos estrategistas.

Tem um vídeo, trabalho de graduação de Pedro Sorrentino e Rodrigo Vatulli, que faz uma boa apresentação da campanha do Obama, “Obama Digital”. Mostra todo o ambiente político e grande parte dos estudos realizados para a efetuação das ações. É meio grande, mas é válido.

Obama Digital #obamadigital from Obama Digital on Vimeo.

Já na visão do eleitor, é importante frisar o porquê da inclusão política no uso das redes sociais. Sendo cada vez mais engajado com o mundo virtual, o eleitorado está cada vez mais “digital”, participando ativamente das redes sociais, dando opiniões e fazendo reclamações pertinentes para a cidade e o país que vive. Além do mais, as pessoas querem se manter informados sobre o andamento das campanhas e as ações já feitas por seus candidatos, podendo dar “pitaco” quando acontecem fatos que não gostam.

Abaixo segue um tweet do Neucimar Fraga, Prefeito de Vila Velha no Espírito Santo, muito criticado no Twitter devido a um péssimo trabalho de assessoria de imprensa em nada capacitada para as redes sociais:

Nessa democracia digital que é a internet, o poder é concentrado totalmente no eleitor. Qualquer erro é suficiente para o candidato ser “deletado” do Orkut e receber um “Unfollow” no Twitter. Sacou o lance, heim?

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