“Quando éramos uma nação agrária, todos os carros eram caminhões. Mas, quando pessoas se mudaram para os centros urbanos, começaram a usar carros. Acho que os PCs estão caminhando para ser como os caminhões. [Cada vez] menos pessoas irão precisar deles. E isso está deixando algumas pessoas apreensivas” (Steve Jobs)

É interessante a comparação acima, feita por um dos maiores diretores de uma empresa de TI, que todos conhecem por sinal, entre o uso e o tamanho de um equipamento. A verdade, é que desde o fim dos anos 1980, 0s computadores têm diminuído de tamanho, as redes de telecomunicação têm aumentado a convergência criando em nós, homo sapiens, a necessidade de estar online a todo o momento.

Ora, para muitos, era inimaginável ter a “sua vida inteira” dentro de um bolso de camisa, o que já nos é propiciado por uma ou duas séries de smartphones.  Era loucura para os primeiros desenvolvedores de computadores, que as máquinas que eles estavam desenvolvendo fossem usadas para multimídia, para telecomunicações, para qualquer coisa que não fosse o cálculo numérico de possibilidades durante uma guerra. (Sim, os computadores são um advento que começou em uma idéia voltada para a tecnologia militar, assim como a INTERNET e a telefonia celular – mas isso é para outro artigo).

Com o lançamento do Kindle e do iPad, abre-se a possiblidade de popularização dos tablet PC’s, algo que já existia – em um uso meramente industrial ou mesmo para o consumidor final, mas que não colou. Aliando design à uma tecnologia pouco aplicada em computadores para uso “doméstico”(até então), o sucesso do iPad se deve não apenas ao status de vanguarda que a marca Apple traz (até porque, não é algo estupendo fazer um computador do tamanho de um caderno pequeno, não para o departamento R&D da Apple) e nem à legião de admiradores da marca – é quase uma religião, mas sim à facilidade do dispositivo (aliada à estabilidade de seu software) em se lidar com uma relação “chave” para o nosso dia-a-dia: convergência x portabilidade.

Já existiam MP3 players antes do iPod, e smartphones antes do iPhone. Contudo, a mistura entre status, design e relação com convergência dos produtos da Apple despertaram o mercado em função destes produtos, especialmente falando da galera de Shenzhen (pólo manufatureiro muito conhecido na industria eletrônica), que se ocupou em clonar os iPods (mp4′s ou Chi-Pod’s conforme são conhecidos no mercado estadunidense), os iPhones (Chi-Phone, China Phone, HiPhone…) e agora, os iPads (aPad…) – Assim como fez e fará com qualquer outro produto de enorme sucesso internacional.

Aí é que reside o perigo, não na industria chinesa, mas em um erro que a Apple insiste em replicar. Quando do lançamento de seus primeiros computadores, a Apple não liberou o código de seu sistema de programação, o Applebasic, o que significou uma perda de mercado futura quando do lançamento do IBM-PC (equipado com o PC-DOS, que tinha o BASIC liberado) – o que travou o desenvolvimento de dispositivos para os computadores fabricados por ela. A Apple em meados dos anos 1980, lançou o Macintosh (ou Mac, para os íntimos) que foi o primeiro computador a introduzir uma interface em janelas (ou WYSIWYG – What you see is what you get), que carecia do mesmo problema de seus antecessores – falta de periféricos mais “em conta”, algo que não afetava o padrão IBM-PC, que ganhou mercado após o lançamento do Windows.

A Apple ainda hoje absorve todas as etapas do desenvolvimento do produto, o que garante a qualidade final do mesmo. Entretanto, tem um custo maior, e isso é repassado ao consumidor – que aliás, as vezes se semte preso ao “consumir apenas o que o fabricante aprova” . O que não acontece com os seus concorrentes hoje (Microsoft, Google…) que nao se preocupam com a produção do hardware, apenas com o software – apostando na massificação do conceito e lucrando com a distribuição do conteúdo.

É uma realidade que os tablets ganharão o mercado dentro de 5 anos ou menos. Mas, não estarão sozinhos e nem substituirão os computadores em muitas aplicações - especialmente as que dependem de processamento rápido de dados – agencias de publicidade, escritórios de arquitetura, engenharia, desenho industrial… enfim – lugares onde uma placa de vídeo é ferramenta de trabalho, não brinquedo de marmanjo.

Agora, para o usuário normal, e para as empresas que utilizam seus computadores apenas para e-mail/internet/VoIP/Mensagem Instantânea/Edição de Textos-Planilhas-Apresentações, a mudança para os tablets é mais que bem vinda. Obvio que há um maior custo com uma eventual manutenção, mas é algo que pode ser compensado a médio prazo com um consumo muito menor de energia (algo como 600w de uma máquina comum com monitor de 19″ contra 30w de uma fonte de alimentação chaveada de um tablet), redução de espaço, e, claro, o conforto da mobilidade (fazer o funcionário trabalhar de qualquer lugar, seja do meio da rua, do boteco, da churrascaria, de casa em plantão noturno, fim de semana, etc…), mantendo apenas um PC grande como servidor de dados, a exemplo que ocorre em muitas empresas que já adotam o notebook.

A adoção do tablet como ferramenta de trabalho abrirá a possibilidade de expansão das redes de comunicação no mundo. Algo para o qual o Brasil não está pronto, já que as redes celulares aqui andam um tanto congestionadas, e o 3G em alguns lugares não passa de um sonho, ou mesmo de uma tecnologia EDGE (transferencia de dados até cerca de 200kbps) melhorado. A mim, ao menos, o 3G nunca foi estritamente necessário, como o é para alguns profissionais, porém, creio que a venda de acessos para pacotes de dados voltados à internet crescerá vertiginosamente em planos empresa caso aconteça esta adoção, o que poderá levar até mesmo à substituição do telefone “plano-empresa” pelo tablet “plano-empresa”.

Enfim, se os computadores passarão apenas à servidores locais de dados na maioria das casas, ainda não sabemos. Porém, é certo que a Apple não fique sozinha no mercado dos tablets (os chineses estão chegando, e junto a eles, os pequenos integradores locais). Resta saber quem vai entrar na guerra prá valer, com desenvolvimento próprio, com algo completamente novo – não uma cópia de algo já lançado.

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